InPulse é destaque no Jornal DCI - Diário Comércio Indústria & Serviços

19 outubro 2015

InPulse é destaque no Jornal DCI – Diário Comércio Indústria & Serviços

Startup cria aparelho que promete inibir apetite e acabar com obesidade

A empresa InPulse criou um eletroestimulador gástrico, espécie de marca-passo que libera hormônios de saciedade quando o alimento é ingerido

Jonatas Pavei, um dos sócios da InPulse, com o protótipo pnpulse

Jonatas Pavei, um dos sócios da InPulse, com o protótipo pnpulse
Foto: Divulgação

SÃO PAULO – Um aparelho criado por ex-alunos do mestrado em Engenheira de Controle de Automação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) promete inibir o apetite e acabar com a obesidade. Batizado de PnPulse, o eletroestimulador gástrico, uma espécie de marca-passo, é implantado em duas peças, uma sob a pele e outra no estômago, e libera hormônios responsáveis pela saciedade quando o alimento é ingerido.

O dispositivo foi desenvolvido em 2010 por Jonatas Pavei, Gabriel Veloso Paim e Lucas Neves, sócios na InPulse. Chamou a atenção de investidores internacionais após uma feira do setor biomédico no Vale do Silício, Califórnia, em 2013, mas não chegou a receber aporte na ocasião. O projeto, porém, ganhou duas categorias de subvenção econômica da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), totalizando um aporte de R$ 300 mil para desenvolvimento, sem considerar os investimentos próprios.

O protótipo ainda não está pronto para comercialização, mas começou a ser testado em porcos. “Já realizamos os testes de segurança e os hormonais. Todos foram bem-sucedidos, mas ainda precisamos cumprir mais etapas pré-clínicas para dar embasamento à nossa pesquisa”, diz Pavei. A startup pretende começar os testes clínicos e cumprir as etapas de segurança determinadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no começo de 2016.

O implante seria feito por videolaparoscopia. São duas peças: um eletrodo alojado no estômago e o aparelho, que é implantado sob a pele na região do abdômen. Para os testes em animais, o tamanho do dispositivo ficou em torno de 7 cm. Segundo Pavei, a versão para uso humano será reduzida, mas ainda não é possível mensurar com precisão o tamanho final.

A expectativa dos sócios é começar a comercialização no fim de 2018, com preço final para o consumidor estimado entre R$ 12 mil e R$ 15 mil.

Segundo Pavei, a tecnologia é cara, mas a estimativa é que o valor abaixe consideravelmente com a produção em larga escala.  “Estamos em constante conversa com investidores do Brasil e do exterior e não descartamos a possibilidade de fabricar em um terceiro”, diz.

“Os estudos realizados indicaram uma redução de 50% do sobrepeso em um ano”, afirma. Para ele, apesar de ser um processo lento, é menos invasivo e mais barato do que uma cirurgia bariátrica e garante resultados similares, além da possibilidade de reversão do tratamento.

Problemas de obesidade e sobrepeso atingem cerca de 2,1 bilhões de pessoas no mundo, o que corresponde a 30% da população. O Brasil está na lista dos dez países com maior número de pessoas nessa categoria. Os dados são da pesquisa Global Burden of Disease, publicada na revista The Lancet.

Estrutura

A equipe de desenvolvimento dos produtos é composta por dezenove pessoas, contando com os três sócios. Profissionais da área de engenharia elétrica, eletrônica, ciências da computação e outros da área de tecnologia dão suporte às inovações da empresa, há quatro anos no mercado.

Um dos produtos da InPulse já no mercado é o InCardio, eletrocardiógrafo que detecta deficiência cardíaca em animais. Na área médica está sendo desenvolvido, além do pnpulse, o AFTScan. O equipamento funciona como um eletrocardiógrafo que capta os sinais do corpo e detecta a neuropatia diabética a partir da análise dos dados gerados no sistema.

Pavei explica que, em cada projeto, a empresa faz parcerias com universidades e clínicas médicas ou veterinárias, dependendo da aplicabilidade do produto. O AFTScan está sendo utilizado na Universidade de Sheffield, na Inglaterra, e no Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com previsão de chegar ao mercado no segundo semestre de 2016.

De acordo com o empreendedor, a comunidade científica estuda os efeitos da eletroestimulação implantável há mais de 40 anos e existem diversas pesquisas sobre a técnica aplicada ao tratamento de doenças como Alzheimer, Parkinson e epilepsia. Por isso, os sócios pretendem a partir deste dispositivo desenvolver um outro aparelho baseado na técnica de Deep Brain Stimulation (DBS), espécie de marca-passo que envia estímulos elétricos a determinada parte do encéfalo, com diversas aplicações para o tratamento dessas patologias.

Luana Meneghetti

Fonte: DCI – Diário Comércio Indústria & Serviços

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